domingo, 23 de abril de 2017

SOBRE O HOMEM ARANHA

Eu deveria ter um pouco mais de dez anos quando descobri os quadrinhos do Homem Aranha, primeiro herói do universo marvel.

Diferente de heróis como Batman e Superman, ele personificava um jovem comum com problemas  banais e dificuldades corriqueiras. Também era um herói nova yorquino, de uma cidade real. Nada de Gorthan ou Metropolis que, no fim das contas, são tão abstratas e artificiais quanto a Patópolis do Morcego Vermelho ou do Super pateta e Super Pato.

O Homem Aranha mudou minha forma de identificação como o universo dos quadrinhos. Mas afirmar isso é um lugar comum. Seja como for, através do Homem Aranha os heróis de tirinhas se tornaram mais próximos e humanos, psicologicamente complexos. Tal novidade impactou profundamente em meu imaginário infantil. Até então heróis de HQ eram para mim semi deuses ou deuses incapazes de vivências reais e de uma personalidade pessoal. O Homem Aranha mudou isso para sempre e transformou a cultura dos quadrinhos de um modo que só soubemos posteriormente as consequências....

quinta-feira, 20 de abril de 2017

LEMBRANÇAS DA PRÉ ADOLESCÊNCIA

A agitação dos meninos e meninas na saída da escola acordam nostalgias. Soube eu também este tempo de improvisos e experimentação. Tudo era então tão intenso quanto divertido. Súbitas paixões e quase imediatas decepções ou idealizações solitárias não significavam grande coisa e a vida seguia leve em algazarras. Nada era levado a sério... Eu era apenas um aprendiz de mim mesmo adivinhando ainda aquele que eu sempre seria.
Não aprendia muito com a escola, mas descobria a vida.

sábado, 15 de abril de 2017

A MEMÓRIA COMO EXPERIÊNCIA AFETIVA

A memória compartilhada de épocas da vida, situações e lugares, é o que nos liga de modo afetivo a algumas pessoas. Não o acontecimento, mas a lembrança e sua dimensão subjetiva. 

Em grande parte vivemos de vidas inventadas pela lembrança. O acontecimento e o fato bruto são devorados pelo tempo. Há uma certa dose de fantasia no ato de recordar.

Este caráter fantasioso do jogo entre esquecimento e lembrança é o que define a identidade de um indivíduo com suas recordações e leitura de sua própria existência.


quarta-feira, 12 de abril de 2017

MEMÓRIAS ONÍRICAS II

Comecei a me interessar por psicanálise quando tinha apenas 17 anos. A Interpretação dos Sonhos de Freud despertou minha fascinação pelo onírico e pela fantasia.  levou pouco tempo para descobrir Jung e levar as ultimas consequências a aventura mágica do não eu de tudo aquilo que sou como um questionamento de toda a minha realidade subjetiva.
Aprendi , assim, desde cedo, que a imaginação é a essência da realidade. Convicção que carrego até os dias de hoje e justifica meu encanto pelo universo onírico, pelas gramaticas de fantasia que nos encantam através de toda forma de expressão artística.

terça-feira, 11 de abril de 2017

MEMÓRIAS ONÍRICAS I

Algo que pouco mudou ao longo da vida, foi o padrão de minhas aventuras oníricas. De modo geral, meus sonhos são configurados por paisagens fantásticas e noturnas . As referencias a situações e lugares conhecidos são apenas citações vagas na semelhança de ambientações extraordinárias. 

Meus sonhos sempre possuem um forte componente de evasão e maravilha.

Meu alter ego onírico possui algo de herói e nunca enfrenta dificuldades sozinho. Conheci em meus sonhos pessoas tão interessantes que , definitivamente, nunca teriam lugar na realidade vivida   

sábado, 8 de abril de 2017

SEM IDENTIDADE

Não vejo conexões entre quem sou hoje e meus outros eus de infâncias, adolescências  e maturidades. Sou incapaz de saber um eu unificado dentro de todos os meus tempos vividos. Não sofro do pathos da identidade. Meus passados me deslocam de mim. Sou tantos que não consigo dar conta de mim mesmo.

Eu não sou... Apenas estou através do tempo e do espaço buscando a mim mesmo.