segunda-feira, 29 de abril de 2019

A INADAPTAÇÃO COMO VOCAÇÃO

O funcionamento do mundo sempre me pareceu algo absurdo. Quando criança tudo fazia mais sentido para mim através dos filmes da TV ( era raro eu ir ao cinema) , das HQs e, mais tarde, dos livros. 

A escola não mudou isso. A vida escolar se resumia para mim a um artificialismo abstrato através de seus conteúdos impostos, de sua desagradável rotina de exercícios, testes e provas.

Eu me alimentava silenciosamente de fantasia à margem de todo cotidiano. Confesso que isso nunca mudou. Permaneci a vida inteira inadaptável ao existir pragmático e normativas da realidade social.

Mas a música era minha mais intensa forma de evasão, meu modo predileto e mais eficaz de me desligar de tudo.

Nunca fui capaz de aderir satisfatoriamente a uma persona, a uma função ou identidade social. Não foi fácil para mim escolher uma profissão. Não me sentia seduzido por nenhuma vocação. Acho que foi por isso que escolhi a graduação em História, tendo sempre a filosofia como vocação. Mas eu era de família humilde e tinha receio de não conseguir ganhar a vida através da filosofia. Não sei bem porque a História me parecia uma alternativa mais viável. Hoje sei que nunca me livrei da filosofia.... minha vida profissional se definiu por improviso e arranjos provisórios que se tornaram definitivos. Como já disse, o funcionamento do mundo sempre me pareceu algo absurdo. Nunca achei que teria um lugar nele. Eu tinha uma imaginação demasiadamente intensa e pouca vocação para a realidade. Só com muita sorte poderia ser alguma coisa na vida. 

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