terça-feira, 21 de abril de 2026

AINDA ME LEMBRO

Ainda me lembro
de quando o mundo era jovem
e tudo parecia possível. 

Ainda me lembro
dos nossos melhores dias,
quando futuros eram iminentes,
quase um dia seguinte. 

Era tão  fácil saber o sabor da vida
que a realidade se restringia aos limites do suportável. 
Tudo era assombrosamente previsível. 

domingo, 12 de abril de 2026

SER É INCERTO


Nada é  mais fugidio do que o tempo presente. 
Através dele o mundo, sempre de novo, 
se desfaz como fumaça 
enquanto tudo parece definitivo e urgente.

Mas é a morte é o que, afinal;  define a duração de nossa urgência enquanto ser vivente.
Ser é incerto e viver duvidoso.
Nada é  para sempre, nada realmente  importa, nada é  verdadeiramente presente...


quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

TEMPO E ESQUECIMENTO

Tenho um passado
de gentes e lugares,
uma infância perdida,
uma história de vida,
que define quem  sou.

Tenho um passado
que se desfaz em esquecimento.

É cada vez mais difícil saber quem sou
enquanto meu passado se desfaz
na consciência  incerta do inatual.













quarta-feira, 12 de novembro de 2025

NIILISMO E EXISTENCIALISMO

Tudo na minha vida
foi acidental e provisório.

Tudo me levou a nada
e hoje, na contramão do mundo,
mal sei quem eu sou.

Tudo na minha vida
foi efêmero, superficial e banal.
Nada é matéria de memória 
ou digno de virar história.

Sou apenas um corpo que envelhece,
sem a marca de grandes acontecimentos,
indiferente a realizações e a glória.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

A IRRACIONALIDADE DO LUTO

Do ponto de vista de nossa mais involuntária consciência das coisas, a morte é inaceitável.

 Para a consciência nossos mortos estão apenas ausentes. Mesmo que seja uma ausência permanente. A inexistência de um ente querido é inconcebível, assim, como é inconcebível nossa propria inexistência.

 Demorei muito tempo para entender que o luto consiste nesta negação irracional da morte e todas as suas extremas consequências.

Não compreendemos como alguém pode deixar de ser...
Essa é uma das razões pelas quais muitos de nós são presas fáceis das ilusões religiosas e suas metafísicas.

domingo, 9 de novembro de 2025

A MORTE DA MEMÓRIA

Meus pais, meus avós, meus vizinhos , primos , donos de padaria e mercearia, vendedores ambulantes de picolé, jornaleiros,  etc. estão todos mortos.

Aquele velho cotidiano de infância, todos os seus personagens ou protagonistas,  desapareceram sem deixar vestígios.
 Só sobraram em meus silêncios, lembranças mudas que parecem resquícios de sonhos antigos.

Neu passado morrerá comigo.
Não pertence a ilusão da História.


CREPÚSCULO

Lembro-me dos crepúsculos da minha infância.
Era tudo poesia quando o sol se despedia e a noite nos cobria de melancolia.
Hoje isso não acontece mais.... Não há qualquer mansa agonia na paisagem que anoitece.
Hoje mal percebemos  quando anoitece.
O céu  noturno já em silêncio....