Nas ultimas décadas do século XX
eram grandes as expectativas em relação a chegada do novo século e milênio. De
modo geral esperava-se novos ares e um momento de grandes novidades. Afinal o século
XX chegava ao fim com reviravoltas espetaculares como o fim do socialismo real,
reunificação da Alemanha e uma confiança absurda no progresso técnico
científico. Mas a grande expectativa era
em relação ao bum do milênio que revelava o ceticismo coletivo em relação as
novas tecnologias digitais. Quem poderia imaginar que o novo século seria tão
formatado por tais tecnologias e o virtual se tornaria o grande artificio de
nosso modo de conceber o mundo e transformaria significativamente nosso
cotidiano e sensibilidade. Justo ele que não foi concebido ou antecipado pelas
utopias futuristas do século XX.
O mundo de hoje não poderia ser
previsto quando nasci. O mesmo pode ser dito para minhas expectativas pessoais
de futuro privado. Não temos o mínimo controle sobre o futuro apesar de todas
as nossas previsões. Nada antecipava a vida que levo hoje. Não encontro sinais
do presente quando penso em meu passado. Digo o mesmo em relação a existência
coletiva. Não aprendemos nada com a história além de contrastes, distancias e
descontinuidades. Não vejo continuidades e permanências essências entre o meu
passado e meu presente. Fato que me leva a temer o futuro. Mesmo que ele seja
mais curto do que o suposto por minhas expectativas.
