segunda-feira, 15 de maio de 2017

ENTRE O PASSADO E O PRESENTE

Nas ultimas décadas do século XX eram grandes as expectativas em relação a chegada do novo século e milênio. De modo geral esperava-se novos ares e um momento de grandes novidades. Afinal o século XX chegava ao fim com reviravoltas espetaculares como o fim do socialismo real, reunificação da Alemanha e uma confiança absurda no progresso técnico científico.  Mas a grande expectativa era em relação ao bum do milênio que revelava o ceticismo coletivo em relação as novas tecnologias digitais. Quem poderia imaginar que o novo século seria tão formatado por tais tecnologias e o virtual se tornaria o grande artificio de nosso modo de conceber o mundo e transformaria significativamente nosso cotidiano e sensibilidade. Justo ele que não foi concebido ou antecipado pelas utopias futuristas do século XX.


O mundo de hoje não poderia ser previsto quando nasci. O mesmo pode ser dito para minhas expectativas pessoais de futuro privado. Não temos o mínimo controle sobre o futuro apesar de todas as nossas previsões. Nada antecipava a vida que levo hoje. Não encontro sinais do presente quando penso em meu passado. Digo o mesmo em relação a existência coletiva. Não aprendemos nada com a história além de contrastes, distancias e descontinuidades. Não vejo continuidades e permanências essências entre o meu passado e meu presente. Fato que me leva a temer o futuro. Mesmo que ele seja mais curto do que o suposto por minhas expectativas.  

PASSADOS PERDIDOS

Dentro de mim moram passados
Onde gritam esquecimentos
Que sufocam  a memória
E inventam o imediatismo vazio
Deste simples momento.


Dentro de mim moram passados
Que não cabem no agora.

Talvez um dia eu me lembre
De tudo aquilo
Que não deveria
Ser esquecido
E me descubra outro
No mais profundo vazio

De mim mesmo.

sábado, 13 de maio de 2017

SOBRE O PASSADO QUE MORREU EM NÓS


Muita coisa vivida foi esquecida

Por mim e por todos.

Sobraram apenas pedaços

De nossos passados compartilhados

E cada um de nós

Carrega sua versão dos fatos.

O que  foi se foi

E já não faz diferença.

O tempo passou e ainda estamos aqui

Tentando adivinhar a vida.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

LEMBRANÇAS

Minhas lembranças tem gosto de sonho.
O passado me embriaga
E quase não sei do tempo presente
Nesta nostalgia que me abriga.

Eu era mais vivo antigamente.
Agora vivo do cheiro
De tudo aquilo que não mais existe,
Mas persiste dentro de mim

Como uma existência ausente.