Pertencer a mesma geração é
lembrar do passado através das mesmas músicas, dos mesmos programas de televisão,
brinquedos e hábitos cotidianos que definiram uma época. No fundo há muito
pouco de pessoal em tudo isso. Mas é como nos percebemos no tempo e
configuramos nossa experiência mais pessoal. Assim, a memória de um se entrelaça
a memória dos outros, e produz algo mais do que a memória bruta dos
acontecimentos.
O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
segunda-feira, 31 de julho de 2017
sexta-feira, 14 de julho de 2017
LEMBRANÇAS
A percepção presente
Invoca lembranças
Que me surpreendem
Com instantâneos oníricos.
Sou outro em cada lembrança
Me desconhecendo no tempo.
Sou como uma sombra de todas
As possibilidades ontológicas
Do meu rosto.
Mas tamanha é a força
Do fluxo de minhas lembranças
Que o tempo presente
Não tem importância.
segunda-feira, 10 de julho de 2017
ENVELHECER
O passado é sempre mais
interessante do que o presente. Pois remete a juventude, onde tudo é mais
intenso e pleno. Sempre que penso no passado, experimento qualquer coisa a mais que um previsível sentimento de nostalgia. Falo de uma sensação
incomoda de envelhecimento.
Não sou como antes e nada é como antigamente. Envelhecer não é um premio.
O leque de possibilidades e o envolvimento com as coisas se torna decrescente
com o passar dos anos. Não tenho qualquer pudor em admitir isso. O tempo passa
contra a gente.
SER ADULTO
Qual o momento no qual a criança
se torna um adulto? Certamente ele não existe. É um processo, muitos responderiam com a devida razão. Mas
a questão é se tal processo de algum modo realmente atinge sua meta.
Pessoalmente, não me sinto um adulto. Minhas emoções,
sentimentos e imaginações, embora diferentes das que me caracterizavam na infância, não contemplam nenhuma maioridade
existencial. Diria mesmo que me sinto em
muitos sentidos superior a criança que fui um dia. Ao contrário, não tenho mais a mesma
capacidade de aprender ou me adaptar as situações. Perdi a velha curiosidade e
o vigor físico intelectual. Minhas percepções são mais restritas e minhas atitudes mais
previsíveis. Não tenho a mesma capacidade de inventar e criar. Se ser adulto significa independência, autoconfiança e adaptação ao mundo, acho que nunca nos tornamos plenamente adultos.
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