Poucas ficaram,
me viram mudar com os anos.
O tempo desfez algumas certezas,
Inventou despedidas
E geografias de vento e memórias.
A cada ano me vejo um pouco mais vazio,
Absurdamente ausente
De mim mesmo.
O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
Meu passado pessoal é frequentado por muitas coisas e pessoas perdidas, é testemunho de épocas de intensa existência.
Frequento minhas memórias mais do que vivo o presente. Pois sinto como se algo perdido, faz muito tempo, habita-se agora em mim como o vazio de possibilidades desfeitas. Não fui capaz de atualizar meus passados no tempo presente. É como se não fosse possível de ser por inteiro em qualquer futuro, uma vez que me deixei perdido pelo meu próprio caminho.