sábado, 30 de março de 2019

O VAZIO DAS MINHAS AMBIÇÕES

Deixar a casa dos meus pais e a cidade onde nasci, foi o incerto movimento de buscar um futuro. Jovem e destemido, me deixei levar pelas minhas melhores expectativas. 

Mas nada dos velhos sonhos de vida e destino se concretizou. Eu mudei, acordei dos sonhos e me surpreendi abandonado a simples realidade. 

Inventar um destino se revelou maior do que minha capacidade de lidar com o mundo. Acabei refém do avesso dos meus sonhos. A vida se tornou o que podia ser e não o que eu queria. Hoje nem sei mais o que agora me diz  o querer. Já não tenho ambições. Tudo se resume a simplesmente sobreviver...

terça-feira, 26 de março de 2019

OBJETOS E AFETOS


Lamento não ter preservado alguns objetos que tão profundamente definiram meu cotidiano ao sabor do passar dos anos. Falo de alguns brinquedos, HQs, roupas, desenhos, álbuns de figurinhas e outras coisas que me fogem agora. 

A memória materializada em peças de vida é quase um pedaço de tempo a ser tocado, sentido e revivida. Hoje sei o quanto nossas posses mais corriqueiras não são descartáveis. Os usos não as esgotam. 

Infelizmente, os objetos desapareceram, assim  como muitas pessoas que agora visito em fotografias.Nem  mesmo a casa na qual cresci é a mesma. É como se o tempo fosse algo físico e concreto e não uma invenção da memória e da consciência.

sábado, 9 de março de 2019

A MÚSICA DA MINHA VIDA?

A música é uma experiência constante na minha experiência da existência. Na infância decorava o ambiente de casa através do rádio e da televisão. Além disso minha mãe estava sempre cantando enquanto se dedicava aos afazeres domésticos.

A musicalidade dos anos setenta do século XX, década na qual cresci, é plena de harmonia e lirismo. Os arranjos e a melodia ainda definiam a música popular.

Eu sempre estava em busca da canção que serviria de pano de fundo para minha existência. Durante muito tempo acreditei ter encontrado em um antigo sucesso de Flank Valli:  Can't take  my eyes of you na versão dance de Glória Gayno. A letra de amor é banal e um pouco tosca para sensibilidade contemporânea. Ela realmente nada tem nada de especial. Mas quando jovem demais eu a elegi como emblema. Eis um exemplo de como experiências idiotas se tornam intensas para alguém de pouca idade. Durante muito tempo considerei esta canção a música da minha vida sem ter tido uma namorada ou um grande amor adolescente para justificar o encanto.

quarta-feira, 6 de março de 2019

UMA QUASE LEMBRANÇA DE FAMÍLIA

Não conheci minha bisavó Mafalda ( que diziam lembrar minha mãe). Não soube meu avô quando jovem e não faço ideia de como ele conheceu minha avó. Nem mesmo consigo imaginar minha mãe criança. Mas o tempo deles, do qual estive ausente, é parte de tudo que sou hoje. Minha vida quase não me pertence.