segunda-feira, 30 de setembro de 2019

O TEMPO DOS MEUS AVÓS

Os objetos antigos tem gosto de coisas não  vividas, mas intensamente familiares.


O mundo dos meus avós é  parte do meu presente como vestígio de experiências perdidas, como marca arcaica de um devir de clã que soube de mim antes do meu nascimento.

Há  uma sombra minha em fotografias antigas, tiradas antes de mim, em acontecimentos de histórias contadas, quando a infância inventava o eterno, na etérea essência do tempo  nos quais  meus avós eram apenas crianças.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

CORPO E MEMÓRIA

O corpo é a alma do tempo.
Nele cada sinal é uma marca de vida,
Cada lembrança  um caminho de existência,
E cada  ato um gesto de cuidado de si e dos oitros.
O corpo é memória viva,
Registro mudo de uma existência
Que se inventa mundo
Em impessoal poesia.

domingo, 15 de setembro de 2019

FAROESTE

Lembro que meu pai, quando era mais jovem e eu apenas uma criança, adorava filmes de  faroeste. Talvez lembrasse a infância dele. Mas como eu poderia imaginar a infância do meu pai? Nunca imaginei meu pai antes da paternidade.  Há algo de egoísmo nisso. Nunca enxerguei meu pai fora do meu próprio mundo.