quinta-feira, 21 de novembro de 2019

MEMORIALISTA


Tudo era muito  diferente de hoje
Quando todos que eu amava estavam vivos.

A Lua era menina naqueles dias,
e o sol um garoto garboso cujo brilho
acordava em todos intensa alegria. 

Até parece que faz muito tempo que nasci
naquele outro mundo que me viu surgir.
Mas juro que foi ontem.
Só não foi aqui.




quarta-feira, 20 de novembro de 2019

DEVER SER

Ao longo das duas primeiras décadas da minha existência,  Entre a tutela das figuras parentais e a normalização imposta pela escola, cultivei a imaginação como uma meta realidade, fiz do brincar uma forma de criar em mim o mundo. Tal experiência foi em mim tão poderosa que me condenou a ser um adulto inadaptado e melancólico.
A vida para mim deveria ser outra coisa que apenas podemos intuir.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

A VIDA QUE NÃO SERÁ



Há  um futuro impossível que me atormenta como fantasma dos meus passados não vividos. 

Há uma potência de vida perdida no meu destino.
Na vertigem do vir a ser há múltiplas possibilidades interditadas
E a vida vale pelo que não foi ou será
Nas desventuras do possível.

domingo, 17 de novembro de 2019

ESCOLA E CONVIVÊNCIA

Sempre odiei a escola. o que chamam de educação  é  uma espécie de lavagem cerebral através  da qual a sociedade nos apodrece. Apesar disso, sempre gostei da camaradagem das turmas de escola. Foi onde aprendi a conviver e fazer amigos, onde fui inventado entre os outros como indivíduo.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

A DITADURA DOS ADULTOS

A tutela dos pais e a escola como semi prisão e instituição de adestramento de consciências,  definem a infância formal. A imaginação  e as brincadeiras funcionam como as contrapartidas da liberdade contra as imposições da ditadura dos adultos. 

Gosto de pensar que fui uma criança  inconformada com a dominação  dos mais velhos. Mas isso é  muito relativo. Toda criança  torna-se cúmplice de seus parentais algozes.