quinta-feira, 27 de maio de 2021

INFÂNCIA

Lembro da minha infância  como uma espécie  de estado de pensamento onde o corpo sabia do mundo do ponto de vista das coisas. Tudo era intenso...

quinta-feira, 20 de maio de 2021

LEMBRANÇA E MEMÓRIA

Lembrar de mim
é recordar pessoas, 
lugares & coisas
que me sustentam o rosto.
Sou do lado de fora
de mim mesmo
um lutar inútil contra o tempo,
um resistir a queda livre
de existir em vertigem
no abismo sem fundo
do esquecimento absoluto.

quarta-feira, 19 de maio de 2021

VIVER É UM MODO DE DESAPARECIMENTO

Tudo que vivi em meio século  de existencia não  cabe no tempo,
é  esquecimento que não  para de acontecer em segredo,
em algum delirio e movimento
da inconsciência das pedras
que me decoram um céu entreaberto na lembrança dos meus mortos.

segunda-feira, 17 de maio de 2021

TEMPOS SOMBRIOS

Quando eu era jovem, nas últimas décadas do século XX, a tecnologia alimentava fantasias de um mundo futurista de avanços ilimitados da humanidade e da civilização. Mesmo que o fantasma insano de um apocalípce nuclear fosse sua contrapartida. 
Hoje, a tecnologia, tornou-se um dispositivo que define o tempo presente e a incerteza de nossa condição humana. O futuro, por outro lado, é  assombrado por pesadelos destópicos e a civilização e o progresso revelam-se um desastre ambiental que ameaça todo o eco sistema, a natureza da qual somos parte.
Envelheço em tempos propícios ao ceticismo, a uma profunda má vontade com a vida, com toda fé ou razão possível que ouse atribuir virtudes a miséria de nossa condição humana.

terça-feira, 11 de maio de 2021

A CASA

A casa se resume ao sofar da sala
e as imagens na televisão.

A casa onde o tempo não passa.
Onde nada acontece
e as coisas se estragam.

A casa prisão 
onde me escondo do mundo.
Onde tudo é  tarde
e a vida não tem solução. 


segunda-feira, 10 de maio de 2021

SOBRE TORNAR-SE UM ORFÃO

Vivi uma adolecência banal,  conformado aos lugares comuns da juventude da minha época. Meus pais pareciam eternos,  a maior certeza do mundo era sabe-los em minha vida.
 Por mais distante que me sentisse deles, reconhecia o vínculo que nos fazia parte de uma mesma experiência de mundo e tempo.
A presença deles definia minha juventude, minha condição social de filho.
Apesar de ter quase meio século de vida, foi somente quando me tornri orfão que comecei de fato a envelhecer,  a experimentar qualquer declínio de ser.