segunda-feira, 29 de novembro de 2021

INTROSPECÇÃO

Já faz anos que não  faço novas amizades e apenas conheço pessoas novas. Tenho me desinteressado pelos outros, me fechado em meus passados, buscando fugir para o interior dos meus mundos mais profundos. Talvez esta seja uma tendência na vida de quem envelhece e acumula entes queridos no cemitério. 

MINHA CIDADE

Não  tenho orgulho da cidade onde nasci. Ela não  passa de um canto perdido de mundo moldado pelo massacre de indios e pela escravidão  dos negros. É um lugar de exploração e probreza, onde uma pequena elite transforma perpetuamente o futuro em ruinas. 

sábado, 27 de novembro de 2021

SONHOS 80

Recorrentemente sonho com minha vida nos anos 80 com meus pais. tempo da minha adolescência e do apogeu da vida adulta deles. Ninguém  era feliz, mas todos estavam bem.

UM ESTUDANTE CONTRA AS PROVAS

Nos meus tempos de estudante achava que as provas e testes escolares eram uma forma de matar qualquer experiência interessante das aulas. Através  destes artifícios não se media conhecimento, mas a obediência e a capacidade mimetica quando o que importa é a capacidade de inventar, fabular. Toda educação para mim sempre foi um aprendizado da imaginação. 

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

MEU FUTURO É O PASSADO

O passado, esta opaca sombra que sobrevive a si mesma como memória, tem para mim mais realidade do que o pesente e a concretude do agora. Pois, para mim, tudo que importa já aconteceu. O futuro é para os outros. Nasci, afinal, no século passado. O passado é minha casa e meu futuro.

NASCIMENTO

Sinto falta dos meus pais, do mundo que eles significavam para mim. Um mundo de afeto e acolhimento, que já não existe mais, e que com seu desaparecimento, concluiu meu nascimento. Nascer é morrer por dentro, é perceber a existência como abismo, a realidade como  um ambiente hostil.

domingo, 7 de novembro de 2021

O ESTUDANTE CONTRA A ESCOLA

Nos meus anos de estudante, nunca achei que como "aluno" eu era parte da escola, ao contrário dos professores e funcionários.  via-me, como os meus pares, como objeto da escola, sua "vitimas", ou, como preferem dizer, um aluno.
Mas o lado positivo da escola estava para mim fora da sala de aula. Eram os laços sociais cultivados durante o recreio ou depois da hora da saida. Os conformismos e saberes impostos pelas disciplinas, eram coisas fora da vida, da realidade. Nunca tive como ideal ser um bom aluno.

sábado, 6 de novembro de 2021

DESENHOS

Passei minha infância e adolescência desenhando inspirado por hqs. Criei para mim um meta universo de seres e lugares imaginários onde  existia livre do meu próprio eu. Meus desenhos não tinham autoria, diziam uma recusa do mundo, da vida, como me era ensinada.

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

PRIMEIROS DESENHOS

Eu tinha menos de cinco anos quando, embriagado de imaginação,  desenhava no chão, na terra do quintal de casa dos avós.
Criava um quadro de ação, 
apagava,
e o desdobrava em outro,
externando uma história, 
que dentro de mim corria nas mãos.


quinta-feira, 4 de novembro de 2021

INFÂNCIA E META REALIDADE

 

Na minha sensibilidade e imaginação infantil o universo das HQs e dos brinquedos estavam entrelaçadas na invenção de um mundo paralelo onde a vida era mais real do que a realidade.

Eu não associava as aventuras dos meus heróis a qualquer forma de fuga da realidade. Pelo contrário, tratava-se de uma realidade mais viva, mesmo que artificial e imaterial. 

Para uma criança a realidade é um dado incerto...


 


quarta-feira, 3 de novembro de 2021

ANCESTRALIDADE

Ancestralidade não é um conceito metafísico. Não remete ao simulacro de qualquer noção ingênua de espiritualidade.
Ancestralidade é herança genética, composição dos corpos de gerações que compartilham um patrimônio molecular, uma gama de possibilidades ou combinações, um padrão bio psiquico bastante concreto que se renova em cada novo indivíduo. A ancestralidade é bio-histórica. Pertencer a uma familia é participar de uma história viva da qual apenas parcialmente estamos ciêntes no corpo e na consciência.  Minha biografia é um pequeno capítulo de uma longa existência coletiva.

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

ANOS 70

Era 1971.
Não existia internet.
Todos escutavam rádio
ou viam televisão;
Recebiam cartas
e escreviam diários
depois da leitura dos jornais.

A realidade era tão certa
quanto o almoço de domingo.
Ninguém duvidava das grandes certezas universais.
Mas a vida, entretanto, já era uma grande porcaria
nos retrocessos do progresso
pós industrial.
A morte estava sempre
na ordem do dia
nos tempos da guerra fria
e todos sabiam de economia.