Não envelheço apenas fisicamente, mas, antes de tudo, psicologicamente. Isso pressupõe um deslocamento de qualquer estratégia de enraizamento ou identidade.
Sou cada vez mais estrangeiro em meu cotidiano no mais radical estranhamento do mundo.
O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.