O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
quarta-feira, 26 de julho de 2023
SOBRE OS VELHOS ANOS 70
Embora minha existência não se restrinja aos anos 1970, foram neles que que existi mais intensa e profundamente do que em qualquer outro período da minha vida. Foram meus anos de formação. A estética dos anos setenta, suas sensibilidades e modos de existência, definem meu modo de saber o mundo, minhas afinidades eletivas. Há em mim uma ingenuidade onírica que muito lembra a imaginação da cultura da época. Quase não nos damos conta do quanto, de um modo geral, os anos 1970 foram violentos em todo o mundo. Mas o mundo acontecia em cores vivas na intensidade das coisas banais e sublimes.
quarta-feira, 12 de julho de 2023
TUDO MORRE
A memória diz mais do que uma vivência desfeita. Ela revela a indeterminação da realidade, de tudo que nos parece permanente, seguro e constante.
A vida é pura incerteza.
Tudo morre.
sexta-feira, 7 de julho de 2023
LEMBRANÇAS
Saudades daqueles dias sem tempo quando eu pouco sabia do mundo. Onde tudo era meu corpo jovem e intenso, no meio dos outros e em meu pequeno canto de mundo. A vida era tão insignificante e pequena que nada tinha limite. De alguma forma estranha eu me sabia radicalmente livre na prisão de minhas rotinas infantis.
sábado, 1 de julho de 2023
NOSTALGIA DELIRANTE
A velha casa morreu.
O edêmico quintal
que inventou minha infância
não existe mais.
Mas minhas lembranças
tem gosto de sonho.
e acordam
uma infinita vontade
de fugir de tudo,
de escapar para a terra do nunca mais
onde o passado seja absoluto
e a casa não esteja morta.
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