Tudo que eu fui, senti ou percebi, o fluxo descontínuo da minha percepção e auto consciência, há de desaparecer comigo sem deixar qualquer vestígio.
O que não significa que exista em mim algo como uma essência ou identidade, um fundamento ontológico e individual. Eu e o mundo são grandezas que se retro alimentam como um só simulacro.
A realidade é mais um limite e um modo biológico de perceber e percerber-se do que uma exterioridade objetiva com a qual nossa consciência interage.
Ninguém saberá o mundo através do meu corpo ou dos meus pensamentos porque tal singularidade simplesmente não existe. Mesmo que eu a perceba.
É justamente por coisas assim que minha morte, enquanto evento singular, é insignificante. Apenas a soma de todas as mortes de algum modo existe.