O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
quarta-feira, 31 de julho de 2024
UM POUCO DE NOSTALGIA
Nos rasos dias de juventude, onde meus pais e avós eram vivos e a vida fazia sentido na intimidade de um lar, tudo parecia definitivo e certo, como os dias e as noites.
Quão iludido era meu eu menino pelo conservadorismo familiar que fazia o mundo inteiro caber entre os muros de um quintal.
Hoje, perdido em um mundo é vasto e indomável, sei que nada faz sentido além do vale tudo da sobrevivência.
A vida não vale uma tarde de infância.
domingo, 21 de julho de 2024
VIDA BOA
Não tive uma vida boa. Aliás, nunca aceitei nenhuma definição convencional de vida.
Creio que apenas sobrevivi como uma vítima passiva da época e lugar onde nasci.
Não acredito em livre arbítrio, nem que a existência tenha algum propósito. Afinal, morrer não é um propósito, mas uma obrigação.
Não espero no fim de tudo qualquer redenção.
Não tive uma vida boa porque tal rótulo não se aplica a vida.
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