segunda-feira, 28 de agosto de 2017

NADIFICAÇÃO BIOGRÁFICA

No intervalo de algumas décadas vivi uma existência banal entre algumas épocas. Não realizei qualquer feito digno de nota no devir da espécie. Fui apenas uma pessoa qualquer mergulhada em suas rotinas e ritmos de experiência.

Praticamente tudo que me aconteceu foi a variação insignificante de uma biografia vazia que se reduz a uma página ilegível, inútil, que nem vale a pena ser lida.

Tal nadificação do meu ser resume para mim a própria condição humana. Tudo é desimportante e perecível, como o esforço inútil destas  breves palavras.


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

UM DESENHO

Eu era um adolescente quando fiz este desenho mal feito. Gostava de me traduzir através de imagens, me dizer por intermédio das imaginações. Sofria uma febre de imensidões, de vontades... Tinha toda a potencia que define a juventude e suas metafisicas imensidões....

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

QUANDO EU ERA JOVEM

Não é apenas a vontade de ser jovem de novo que me leva a nostalgia  dos anos de infância e adolescência. Creio que o sentimento de pertencimento ao mundo e a vida é o que mais intensamente sustenta essa fome de passado.

Na época eu não gozava de tal perspectiva, achava minha vida profundamente desinteressante e até mesmo frustrante, como toda boa criança e, depois, adolescente problemático. Mas agora sei o quanto morar com meus pais me proporcionava um lugar no mundo, o quanto  a rotina domestica era um abrigo existencial.

Ao mesmo tempo, vivia descobertas e redescobertas diárias, tinha todas as vontades e tempo do mundo para experimentar a existência. A vida, simplesmente, tinha mais gosto. O  futuro estava inteiramente aberto diante das minhas escolhas. É claro que só temos plena consciência da riqueza dos anos de juventude quando já não gozamos mais de seus benefícios.

Lamento não ter levado as últimas consequências todo o potencial daqueles anos de formação e crescimento, daqueles dias em que a existência ainda gozava de pleno sentido.

Mas lamento ainda mais não poder contar com a segurança da vida em família, com um universo privado ordenado e pleno de referências.