segunda-feira, 14 de agosto de 2017

QUANDO EU ERA JOVEM

Não é apenas a vontade de ser jovem de novo que me leva a nostalgia  dos anos de infância e adolescência. Creio que o sentimento de pertencimento ao mundo e a vida é o que mais intensamente sustenta essa fome de passado.

Na época eu não gozava de tal perspectiva, achava minha vida profundamente desinteressante e até mesmo frustrante, como toda boa criança e, depois, adolescente problemático. Mas agora sei o quanto morar com meus pais me proporcionava um lugar no mundo, o quanto  a rotina domestica era um abrigo existencial.

Ao mesmo tempo, vivia descobertas e redescobertas diárias, tinha todas as vontades e tempo do mundo para experimentar a existência. A vida, simplesmente, tinha mais gosto. O  futuro estava inteiramente aberto diante das minhas escolhas. É claro que só temos plena consciência da riqueza dos anos de juventude quando já não gozamos mais de seus benefícios.

Lamento não ter levado as últimas consequências todo o potencial daqueles anos de formação e crescimento, daqueles dias em que a existência ainda gozava de pleno sentido.

Mas lamento ainda mais não poder contar com a segurança da vida em família, com um universo privado ordenado e pleno de referências.



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