terça-feira, 19 de setembro de 2017

O PESO DA INFÂNCIA

As boas lembranças que temos da infância define o adulto que somos. Posso dizer que a criança que fui é hoje a sombra do adulto que me tornei, seja através das minhas qualidades, defeitos ou contradições. A sensibilidade que define o modo como percebo o mundo, como relaciono com os outros, meus gostos e preferências pessoais, são consequências da criança que fui.

Envelhecer é para mim uma forma de dialogar com si mesmo, de inventar um passado para definir o presente. 

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

INFÂNCIA PERDIDA: O CASO DOS CARROS DE LATA DE ÓLEO

Quando eu era criança, e as latas de óleo eram de alumínio, era comum utiliza-las para produzir brinquedos. Geralmente pequenos e rústicos carrinhos de lata decorados com fina imaginação.  Inventar brinquedos era próprio as crianças dos anos setenta do ultimo século. Estava longe de ser uma exceção. Qualquer criança fazia isso.  


Causa-me, entretanto, certa estranheza de perceber que nas infâncias de hoje, a imaginação já não inventa brinquedos. Não há nada da criança que fui entre as crianças de hoje. As vezes chego mesmo a duvidar se posso considera-las crianças no mesmo sentido que eu fui um dia. Não estou dizendo que isso é bom ou ruim. Apenas estou diagnosticando o abismo que agora me separa da infância e de tudo que se refere ao universo infantil. 
Afinal, carros de lata de óleo saíram de moda...

NOSTALGIA

O tempo passou...
Muita gente morreu,
Os lugares já não são os mesmos,
As rotinas desabaram
E já não me reconheço
Na atual fachada da casa antiga.
Tudo mudou.
Até mesmo eu.
Mas mesmo mais velho
Ainda me sinto um pedaço perdido
Daqueles tempos onde tudo que eu era
Não havia desaparecido.


terça-feira, 5 de setembro de 2017

O FLUIR DAS SENSIBILIDADES

O modo como sentimos e sabemos o mundo, muda como nosso cotidiano. Assim se definem as épocas de uma vida. Mas os critérios para sua definição é puramente subjetivo, salvo pelas especificidades definidas por cada uma de nossas idades biológicas. O que sei é que já não sinto ou tenho as mesmas prioridades e sensibilidades  que me definiam, pelo menos, a pouco mais de dois anos. Por outro lado, percebo reminiscências de outras fases e épocas em minha atual subjetividade. Isso significa que não se trata de um processo inequivocadamente  linear. Também depende do quanto apreendemos das experiências que nos configuram o cotidiano. Não é raro termos uma leitura bastante limitada de nossos próprios dias vividos e suas atualizações constantes. Mudamos o tempo todo, mas vivemos como se fossemos constantemente os mesmos. Mas a identidade pessoal é demasiadamente fluida e incerta. Quanto mais envelheço mais me percebo amargamente consciente disto.