O modo como sentimos e sabemos o
mundo, muda como nosso cotidiano. Assim se definem as épocas de uma vida. Mas os
critérios para sua definição é puramente subjetivo, salvo pelas especificidades
definidas por cada uma de nossas idades biológicas. O que sei é que já não
sinto ou tenho as mesmas prioridades e sensibilidades que me definiam, pelo menos, a pouco mais de
dois anos. Por outro lado, percebo reminiscências de outras fases e épocas em
minha atual subjetividade. Isso significa que não se trata de um processo
inequivocadamente linear. Também depende
do quanto apreendemos das experiências que nos configuram o cotidiano. Não é
raro termos uma leitura bastante limitada de nossos próprios dias vividos e
suas atualizações constantes. Mudamos o tempo todo, mas vivemos como se
fossemos constantemente os mesmos. Mas a identidade pessoal é demasiadamente
fluida e incerta. Quanto mais envelheço mais me percebo amargamente consciente
disto.
O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
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