Uma constante na vida urbana da época em que vivi é a presença da televisão como uma espécie de companhia e artefato de ambientação nas rotinas diárias. Boa parte de minhas memórias são televisivas. É surpreendente a quantidade de tempo destinada a não viver a vida através do repouso do entretenimento televisivo. Tal comportamento perpassa todas as minhas idades e, pode-se mesmo dizer, formatos minha sensibilidade e modo de ver o mundo. A influência e lugar da televisão é realmente assombrosa. Mesmo eu não me identificando com a maior parte de sua programação, confesso que indiretamente sou afetado por ela no trato social e no meu modo de lembrar o passado. Quando penso em minha infância, por exemplo, minha memória afetiva é cadenciada pela programação de TV . Já falei sobre isso anteriormente. A novidade agora é uma observação simples: não sei se essa memória midiática pode de fato ser considerada relevante em uma história de vida. Afinal, ela é pré moldada e um fenômeno de massas e impessoal.
O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
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