sábado, 20 de janeiro de 2018

SOBRE O EU E O TEMPO

É estranho pensar que nasci no século passado. Para mim, literalmente, o século XX parece que foi ontem. Minha relação com o tempo presente é mediada por sensibilidades e experiências que escapam aos mais jovens. Percebo cotidianamente que somos de gerações diferentes. Isso me leva a saber o tempo como uma espécie de parede que separa as pessoas, algo que socialmente lhes diferencia para além do envelhecimento físico. Pertenço a uma determinada época, por mais que eu me sinta contemporâneo. Aos poucos vou perdendo meu lugar no tempo presente...

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

SOBRE A BANALIDADE DA VIDA

A vida cotidiana é um encadeamento continuo de momentos banais destinados ao esquecimento. Inventamos um sentido para nossas experiências. Mas qualquer narrativa biográfica é apenas o exercício de um afeto pela existência quando, em sua matéria bruta, ela não ostenta qualquer significado inato. A teleologia é a arte de inventar a nós mesmos através do tempo e do espaço. Mas uma história de vida é um artifício simbólico que rasa e precariamente nos explica em nossa afetiva e cega relação com a existência.    



domingo, 14 de janeiro de 2018

DESENCONTRO

Por ser uma pessoa introspectiva e voltada para imaginação íntima, sempre tive dificuldades para lidar com o mundo. O primado de mim mesmo se impôs em minha relação com os outros e, ironicamente, justamente por isso, nunca consegui me entender comigo. Minha existência se consolidou como um desencontro absoluto.

A CAIXA VELHA

A memória é como uma caixa velha cheia de objetos quebrados. Mas eles são tudo que temos e não podem ser descartados. É nossa bagagem no devir sempre incerto do tempo vivido.

Por outro lado a memória não informa ou sustenta o agora. É, pelo contrário, sua negação. A caixa velha é onde nos procuramos... é onde também nos perdemos.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A VELHICE DOS PAIS

Testemunhar o envelhecimento dos pais é uma experiência impactante. Nos faz pensar sobre nossa própria finitude e no grande vazio de nossas biografias. O passado se faz mais importante do que o futuro e nos abrigamos em representações da infância. Afinal, assusta um pouco confrontar a fragilidade de nossa condição humana