A vida cotidiana é um
encadeamento continuo de momentos banais destinados ao esquecimento. Inventamos
um sentido para nossas experiências. Mas qualquer narrativa biográfica é apenas
o exercício de um afeto pela existência quando, em sua matéria bruta, ela não
ostenta qualquer significado inato. A teleologia é a arte de inventar a nós
mesmos através do tempo e do espaço. Mas uma história de vida é um artifício simbólico
que rasa e precariamente nos explica em nossa afetiva e cega relação com a existência.
O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
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