quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

O INÚTIL ACONTECER DA EXISTÊNCIA

No fundo considero o provisório devir da vida de um indivíduo um encadeamento inútil de vivências destinado ao esquecimento e ao nada. Não importam as realizações e os atos de uma vida inteira. Tudo desaparece depois que morremos. Nossas pegadas se apagam na areia do tempo.

Somos descartáveis enquanto singularidades. Mas é justamente por isso que me abrigo em cada palavra inventando estratégias de esquecimento, rotas de evasão contra o mero passar do tempo.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

SOBRE A NOSTALGIA DA INFÂNCIA

Não há tema mas vulgar do que o envolvimento afetivo e nostálgico com a infância. Afinal, de modo geral, é um momento em que o mundo tem pouca realidade e vivemos abrigados no seio da vida privada, protegidos por nossas figuras parentais.

Passamos a maior parte do tempo desempenhando atividades  lúdicas e o vigor físico e a ingenuidade intelectual garantem, por aí só, nossa satisfação pessoal. Evidentemente, a criança que fui um dia, teria uma opinião diferente sobre isso. Mas, infelizmente,  ela não existe mais e não pode ser consultada sobre o assunto.

O fato é que eu me sentia mais vivo em minhas primeiras idades. Aquele encantamento da vida é algo que definitivamente se perdeu para mim na medida que fui envelhecendo. Não me tornei um adulto convencional porque nunca superei o luto da perda da inocência.

EU E O TEMPO


Enervar-se é inspirar-se contra o mundo.
Afinal não há quem de bom senso
Que não seja contrariado pelos fatos,
Pelo Estado, pelo mercado
Ou pela opiniões publica.

O mundo é uma fábrica de revoltados,
Atormentados e estressados.

A existência é serenamente violenta
E todo dia guarda algo de repugnante.