domingo, 25 de março de 2018

VIDA NÔMADE

A vida adulta materializou o sonho adolescente de morar sozinho. Mas me emancipar da tutela dos meus pais em uma cidade muito diferente da qual nasci e vivendo como estudante, estava longe de ser uma realização. 

O fato é que nunca conseguir morar em qualquer lugar que se possa considerar um lar. Há algo de precário e permanentemente provisório no modo como levo a vida. Algo de profundamente solitário. 

Nunca tive vocação para uma existência convencional. Mas não esperava ser tão incapaz de construir uma vida privada que me garantisse algum enraizamento, uma territoriedade pessoal.

Sou escravo de um estilo de vida nômade. Não planejei isso. Mas foi o que acabei construindo para mim má combinação de uma série de variáveis ruins.

ENTRE O PASSADO E O PRESENTE

O tempo presente é para mim uma espécie de simulacro a desdizer passados. Não é o momento onde a vida acontece, mas no qual ela se revela como efêmera na rasa profundidade do imediato. 

O agora é sempre um adeus sem memória do que já se foi. É quase um anti passado. Mas , conforme envelheço, o passado é onde reside todo significado da existência. Mas ele é etéreo, inalcançável e cristalizado.

terça-feira, 13 de março de 2018

INADAPTAÇÃO


Nenhum período da minha existência pode ser considerado convencional. Até mesmo a infância, dado que fui uma criança solitária que se abandonou aos devaneios e jogos lúdicos de seu mundo interior.

Como adolescente, aprendi a ser ainda mais solitário e, na fase adulta, este isolamento existencial se converteu em inadaptidão social crônica. Fui até mesmo incapaz de conseguir um trabalho que me permitisse algum conforto ou construir uma residência simples, mas que pudesse ser definida como um lar.