terça-feira, 29 de outubro de 2019

MEMÓRIA DE MANACASCATA


Até onde sei, manacascata é  uma fruta originária da Amazônia. Em minha infância de pequena província ela foi presença  intensa no quintal da casa dos meus avós. Hoje em dia , entretanto, não  tenho notícias deste pequeno fruto que as novas gerações  parecem ignorar até  mesmo o vestígio.

É estranho como os hábitos e a economia de coisas que nos ambienta se transformam nos usos possíveis do mundo através das épocas. 

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

SOBRE PRESENTES DE ANIVERSÁRIO

Não  tenho lembranças de festas de aniversários durante minha infância. Criado sem frequentar as ruas, confinado ao quintal de casa, nunca the amigos para reunir entre bolos e bolas de ar.
Mas me lembro vivamente da emoção  de muitos brinquedos de dupla celebração  de dia das crianças  e aniversário de 14 bis de outubro.

Não  há nada que defina mais o encantamento da infância do que a nostalgia da magia da experiência do acontecimento  de um brinquedo novo.

sábado, 12 de outubro de 2019

INFÂNCIA E NOSTALGIA

Grande parte da nostalgia que as lembranças  de infância provocam, deve-se a uma triste constatação: sou incapaz de experimentar hoje a mesma atmosfera anímica,  sensibilidade de fantasia, pertencimento a vida e ao mundo, que me definiam como criança.  

Tornar-se adulto é saber morrer algo que nos é  essencial a nossa elementar condição  de viventes.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

NOSTALGIA

Amanheço  na ambiência de tempos antigos 
Onde o passado atualiza o presente.


Sei na superfície do agora
Um passado mutante
que captura o último segundo
 nas texturas,
Velocidades e ritmos,
 de velhas canções  de infância.

O tempo inventa o contratempo de um exílio

Onde só  posso ser vivo onde já  não  existo,
Onde os mortos ainda caminham comigo,
E  não  me sinto sozinho.





RECUSA DO VERBO SER

Não sou mais a criança  ou o adolescente que fui um dia em família quando todos estavam vivos. Mas não me tornei adulto no meu desespero de ser gente,  de inventar o nada onde me queriam tudo.

Contra as máscaras e artifícios do jogo social descobri em mim qualquer inspiração  animal.

Sempre duvidei da eficácia do verbo ser.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

A POSSIBILIDADE INCERTA DE SER EU


Meus arquivos de livros, músicas e filmes, são uma extensão da minha consciência de mundo. Neles identifico minha subjetividade, a marca da existência coletiva, dos outros,  na imanente experiência de ser eu. Mas, afinal, o que ignifica ser eu?

Sou multiplicidades, indeterminação e incerteza na paisagem da realidade vivida. Um acumulo de memorias que condicionam sensibilidades e comportamentos. É na espacialidade do tempo como devir que me configuro como multidão.  Não vejo a possibilidade de descrição biográfica da minha existência, pois sou apenas um fragmento epocal, uma miragem no acontecimento humano sobre a face da terra.