quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

QUANDO A CULTURA MIDIÁTICA NOS MUDOU PARA SEMPRE

Nos anos 80 e 90 do século XX nossa cultura tornou-se midiática de uma forma que não  era antes. 

Nossa memória e sensibilidade coletiva passou, desde então,  a ostentar certa impessoalidade. 

Quando me lembro destas duas décadas onde fui jovem e plenamente existente, surpreendo-me diante de um acervo de imagens de TV, quadrinhos e músicas.
 Quase não  há  espaço  para vivências  pessoais ou intimistas  que não sejam contaminadas pela experiencia midiática ou por modismos comportamentais de massa. 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

MINHA VIZINHA


Por onde andará hoje
minha antiga vizinha de sobrado?
Nunca mais vi,
nunca mais soube.
Talvez ela nem mais exista
tantos anos  depois.
Pode bem ter deixado o mundo
como deixou minha vida,
sem alarde,  sem aviso,
sem qualquer despedida.
Nem mesmo o sobrado ficou
E a rua que nos abrigou
não me reconhece mais.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

A IMPOTÊNCIA DA MEMÓRIA


Minhas lembranças de infância são como pedaços de sonho que frequentam minha imaginação. Pouco me importa sua imprecisão. Dentro do hoje elas abrem uma janela para  uma intensidade perdida da vida. Talvez, algo que de algum modo precisa ser resgatado. Pois existir sem ser encantado pela experiência das coisas  é algo que não vale a pena.
Infelizmente a juventude não volta, nem os mortos ressuscitam.  


domingo, 2 de fevereiro de 2020

DÉFICIT AFETIVO

Meu universo afetivo sempre foi restrito. Reduzido ao núcleo elementar familiar, de acordo com o contexto vivencial que definia meus dias, sempre fui íntimo de dois ou três amigos. Sempre tive vocação  para solidão e tive uma vida social restrita. Não  acho isso ruim. Julgo mesmo necessário.  É  preciso ocupar-se demasiadamente de si mesmo para compreender os outros e como eles nos frequentam.

Não  vivi grandes amores, pois descobri muito cedo a importância de cultivar a mim mesmo e fazer disso um ato amoroso. Sempre idealizei  um certo distanciamento das pessoas, do mundo e suas urgências. Isso me impôs  um déficit afetivo, um ceticismo diante da possibilidade de qualquer relacionamento profundo.
Não  acho que nada disso me faça  narcisista ou egoísta.