domingo, 2 de fevereiro de 2020

DÉFICIT AFETIVO

Meu universo afetivo sempre foi restrito. Reduzido ao núcleo elementar familiar, de acordo com o contexto vivencial que definia meus dias, sempre fui íntimo de dois ou três amigos. Sempre tive vocação  para solidão e tive uma vida social restrita. Não  acho isso ruim. Julgo mesmo necessário.  É  preciso ocupar-se demasiadamente de si mesmo para compreender os outros e como eles nos frequentam.

Não  vivi grandes amores, pois descobri muito cedo a importância de cultivar a mim mesmo e fazer disso um ato amoroso. Sempre idealizei  um certo distanciamento das pessoas, do mundo e suas urgências. Isso me impôs  um déficit afetivo, um ceticismo diante da possibilidade de qualquer relacionamento profundo.
Não  acho que nada disso me faça  narcisista ou egoísta. 

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