O choro franco e desesperado dela na ocasião me impactou muito. Afinal, eu não tinha ainda nem 18 anos e a morte dos meus pais me parecia, então, uma possibilidade absurda. Na minha ingenuidade não admitia a realidade dos órfãos e considerava inadmissível que minha colega perdesse seu pai ainda tão jovem. Me parecia algo contrário a natureza.
Lembro que escrevi um bilhetinho tentando inutilmente conforta-la. Não recordo seu conteúdo. Mas sei que não tinha na epoca maturidade suficiente para escrever qualquer coisa realmente significativa.
A dor e a situação dela me impactou de modo profundo justamente porque era para mim algo inconcebível, um verdadeiro absurdo. Eu ainda acreditava que havia um sentido, uma ordem, que nos garantia que a realidade sempre seria definida por certo "bom senso" da natureza.
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