quinta-feira, 2 de abril de 2020

UMA NOTICIA TRISTE

Lembro-me de uma excursão de escola durante o ensino médio  cuja volta foi marcada por um episódio triste. Uma colega de classe recebeu no retorno, logo ao descer do ônibus,  a notícia do falecimento do pai, que andava muito doente.
O choro franco e desesperado  dela na ocasião me impactou muito. Afinal, eu não  tinha ainda nem 18 anos e a morte dos meus  pais me parecia, então,  uma possibilidade  absurda. Na minha ingenuidade não  admitia a realidade dos órfãos e considerava inadmissível que minha colega perdesse seu pai ainda tão jovem. Me parecia algo contrário a natureza.
Lembro que escrevi um bilhetinho tentando inutilmente conforta-la. Não  recordo seu conteúdo. Mas sei que não tinha na epoca maturidade suficiente para escrever qualquer coisa realmente significativa.  
A dor e a situação dela me impactou de modo profundo justamente porque era para mim algo inconcebível, um verdadeiro absurdo. Eu ainda acreditava que havia um sentido, uma ordem, que nos garantia que a realidade sempre seria definida por certo "bom senso" da natureza.

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