segunda-feira, 31 de agosto de 2020

ANIVERSÁRIO MATERNO

No dia dos teus anos,
Falta um afago,
Um abraço, 
Um fazer de vida e esperança.

Me dói  o mundo
No seu silêncio,
No impossível absurdo
Da sua ausência.

Um grito me define
Todo nosso tempo vivido,
Meu ser sem ser eu
Em teu ventre
Antes da minha própria existência.

MEMÓRIAS

 

O passado engole o futuro

na incerteza do tempo presente.

Agora é sempre tarde demais.

Nada mais é urgente

onde os dias são todos iguais.

vazio de eternidades

afogo no abismo de memórias urgentes.

 

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Alimentação e Antibiografia

Somos criados para sermos tão  logocentricos,  que tomamos como frívolo aquilo que nos é  mais essencial em nossas auto representações biográficas . Raramente, por exemplo, falamos sobre nossas rotinas alimentares, sobre o que gostamos de comer.
Gosto de uma dieta calórica e pouco saudável regada a muito álcool. Acho até mesmo que o cigarro faz parte da minha dieta.
Sobre as refeições básicas,  gosto de feijão,  arroz, batata frita e carne vermelha.

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

MINHA MÃE



Minha mãe  era um mundo dentro do mundo, um lugar de vida e intensidades, que nunca experimentei em profundidade.
Minha mãe é  parte do melhor possível de mim  que no dual do vínculo jamais conheci realmente a face..
 Minha mãe é a mais precisa definição  da vida, de pertença e afeto, onde me encontrei desde sempre com o mundo em meu próprio desaparecimento.
Minha mãe  foi minha vida dentro da própria vida no inumano da Terra e do tempo.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

SOBRE O DIA EM QUE FIQUEI SEM MÃE

Ontem eu tinha mãe. Hoje não  tenho mais. Simples e cruel assim, na mais clara insanidade que no fundo é  a vida.
Mas a ausência é  presença, algo que me preenche e transborda, me jogando em vertigem no abismo do outro, do meu próprio corpo afetado e vestido de luto.
Ouvir a voz da minha mãe significou sempre me sentir dentro do mundo,  parte de tudo que oferece a vida. Cresci escutando ela cantando no se fazer doméstico e cotidiano.
Até  hoje eu habitava em sua voz. Agora não  hábito mais em nenhum lugar ou pessoa. Nada me é  familiar, próximo  ou desejável. Tudo é  distante e estranho. Minha mãe  já não  diz mais quem eu sou e há um silêncio se expandindo dentro de mim e que não para de crescer, devorando toda potência do dizer, do ser e do querer.

Há uma dor que não  cabe mais nas palavras....