Falta um afago,
Um abraço,
Um fazer de vida e esperança.
Me dói o mundo
No seu silêncio,
No impossível absurdo
Da sua ausência.
Um grito me define
Todo nosso tempo vivido,
Meu ser sem ser eu
Em teu ventre
Antes da minha própria existência.
O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
O passado engole o futuro
na incerteza do tempo presente.
Agora é sempre tarde demais.
Nada mais é urgente
onde os dias são todos iguais.
vazio de eternidades
afogo no abismo de memórias urgentes.