Ontem eu tinha mãe. Hoje não tenho mais. Simples e cruel assim, na mais clara insanidade que no fundo é a vida.
Mas a ausência é presença, algo que me preenche e transborda, me jogando em vertigem no abismo do outro, do meu próprio corpo afetado e vestido de luto.
Ouvir a voz da minha mãe significou sempre me sentir dentro do mundo, parte de tudo que oferece a vida. Cresci escutando ela cantando no se fazer doméstico e cotidiano.
Até hoje eu habitava em sua voz. Agora não hábito mais em nenhum lugar ou pessoa. Nada me é familiar, próximo ou desejável. Tudo é distante e estranho. Minha mãe já não diz mais quem eu sou e há um silêncio se expandindo dentro de mim e que não para de crescer, devorando toda potência do dizer, do ser e do querer.
Há uma dor que não cabe mais nas palavras....
Nenhum comentário:
Postar um comentário