O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
domingo, 31 de janeiro de 2021
FOGUEIRAS
quarta-feira, 27 de janeiro de 2021
A ERA DE PRATA DOS QUADRINHOS
Nascido em 1971, minha relação com o imaginário das HQs foi profundamente impactada pela evolução da chamada "Era de Bronze" dos quadrinhos americanos (1970-1986) e pelo revisionismo "pós-Crise das Infinitas Terras" (depois de 1986). Foi neste intervalo cronológico que colecionei sistematicamente quadrinhos. Principalmente aqueles ligados aos universos DC e Marvel.
Seguindo a conturbada conjuntura social e política norte americana de fins dos anos 60 e inicio dos anos 70, a era de bronze caracterizou-se por histórias menos maniqueistas e uma construção mais realistas das personalidades e dilemas dos chamados super-heróis. Além disso, muitas histórias passaram a refletir os conflitos políticos e questionamentos filosóficos e morais do período. É nessa época que, embora criado nos anos 60, o Pantera Negra adquiri mais visibilidade, assim como ganham protagonismos heróis negros como o Falcão, enquanto parceiro do Capitão América, e Luck Cage, para citar o reflexo dos confritos raciais nos Estados Unidos. Do ponto de vista do realismo impossivel não lembrar da morte da namorada do Homem Aranha, em 1973, durante uma batalha com o Duente Verde. Posteriormente seu pai, chefe de polícia, acaba também falecendo, desta vez em um confronto entre o herói e o doutor Octopus.
No universo DC, merece especial destaque nesse mesmo período a série do roteirista Dennis O Neil, associado ao desenhista Neal Adams, envolvendo a parceria entre o Arqueiro verde e o lanterna verde e, posteriormente a Canário Negro, que embarcam juntos em uma road-comic pelas estradas americanas, enfrentando questões como drogas e racismo. A primeira série do Monstro do Pântano é originalmente de 1972 e 1976.
O fato é que foi nesse período que o imaginário dos quadrinhos começou a “crescer” ou “amadurecer”, abandonando temáticas simplórias formatadas pelo moralismo da eterna luta do bem contra o mal, dedicado ao entretenimento inocente de um público infanto-juvenil. Minha geração cresceu neste momento de “amadurecimento” dos quadrinhos e isso fez muita diferença para mim em termos de construção de uma referência ética em minha pratica de vida.
sábado, 23 de janeiro de 2021
NOSTALGIA
quinta-feira, 14 de janeiro de 2021
ORIGEM
Um dia uma criança foi no meu lugar outra versão deste corpo.
Era outro tempo e minha vida acontecia dentro de outras pessoas.
Através do meu eu criança o desejo encantava toda a realidade.
A imaginação era maior do que o pensamento e o tempo.
Tudo parecia para sempre...
Meu corpo era a medida de todas as coisas do mundo.
domingo, 10 de janeiro de 2021
O DESVALOR DA VIDA
sexta-feira, 8 de janeiro de 2021
SIR LOCK E XERETA
Criado por Carl Fallferg e All
Hubard, Sir Lock Holmes
é literalmente uma toupeira. O
personagem da Disney
é evidentemente
uma paródia do famoso
detetive criado
por Connan Doyle. Mas
a paródia
me encantava nos anos 70 do último século mais
do que o original. Por
conta disso tive uma relação especial com um brinquedo que me
remetia a personagem; O cachorro
Xereta da Estrela. Como
minha imaginação infantil se apropriava de tais imagens e as articulava hoje me
escapa. Só sei que eu levava muito a sério brincar de detetive. Mesmo
sem respeitar o estereótipo da figura do detetive particular tão
consagrada pela literatura e pelo cinema. Afinal, minha principal
referência de detetive sempre foi o Batman, um detetive muito peculiar. Definitivamente, usar cachimbo e sobre tudo era o que naquele período definia um detetive para mim. Mas eu devia ter um cinco anos apenas e pouco sabia sobre o que é um detetive. Hoje nada disso me parece importante. A criança que fui um dia simplesmente não mais existe, assim como suas questões...
segunda-feira, 4 de janeiro de 2021
PRIMEIRAS BRINCADEIRAS E RITUAIS DE INFÂNCIA
Nos meus primeiros anos, passava horas sentado no chão desenhando histórias em quadrinhos na terra. Desenhava uma cena, apagava e desdobrava em um novo desenho. Demorei um pouco para descobrir o papel. Mas só o fazia, não sei por quê, no quintal dos meus avós. Na casa dos meus pais tinha outras brincadeiras. Adorava morar no jardim dentro das folhagens que me lembravam vivamente uma confortável caverna. Creio que essa foi uma das minhas brincadeiras mais primitivas.
COMO É FÁCIL ESQUECER O PRIMEIRO DIA NA ESCOLA
Nem mesmo eu lembro do meu primeiro dia na escola. Tudo que sei é que não queria ir. Mesmo gostando da ideia de comprar mochila, merendeira e desenhar com lápis colorido, ser arrancado do ambiente privado familiar e abandonado na hostil prisão em regime semi aberto da escola, foi para mim um trauma.
Como a maioria das crianças me adaptei à escola. Mas pelos laços afetivos com alguns pares, sempre incertos e provisórios, do que propriamente pela massante rotina desagradável das aulas. Mas eu não era o único esperando a hora de rezar ao tal do menino jesus e ir embora. Meu pai ou minha tia sempre iam buscar a mim e a minha irmã que, diga-se de passagem, nunca frequentamos a mesma turma e , mais tarde seguimos destinos escolares bem diferentes.
Enfim, não me lembro do meu primeiro dia na escola. Mas me lembro muito bem o quanto detestava a escola e só a suportava pela convivência com os colegas de turma. Minha ma~e nos criou sem brincar na rua. Logo, a escola era nossa única forma de relacionamento fora do universo familiar.

