quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

A ERA DE PRATA DOS QUADRINHOS

 




Nascido em 1971, minha relação com o imaginário das HQs foi profundamente impactada pela evolução da chamada "Era de Bronze" dos quadrinhos americanos (1970-1986) e pelo revisionismo "pós-Crise das Infinitas Terras" (depois de 1986). Foi neste intervalo cronológico que colecionei sistematicamente quadrinhos. Principalmente aqueles ligados aos universos DC e Marvel.

Seguindo a conturbada conjuntura social e política norte americana de fins dos anos 60 e inicio dos anos 70, a era de bronze caracterizou-se por histórias menos maniqueistas e uma construção mais realistas das personalidades e dilemas dos chamados super-heróis. Além disso, muitas histórias passaram a refletir os conflitos políticos e questionamentos filosóficos e morais do período. É nessa época que, embora criado nos anos 60, o Pantera Negra adquiri mais visibilidade, assim como ganham protagonismos heróis negros como o Falcão, enquanto parceiro do Capitão América, e Luck Cage, para citar o reflexo dos confritos raciais nos Estados Unidos. Do ponto de vista do realismo impossivel não lembrar da morte da namorada do Homem Aranha, em 1973, durante uma batalha com o Duente Verde. Posteriormente seu pai, chefe de polícia, acaba também falecendo, desta vez em um confronto entre o herói e o doutor Octopus.

No universo DC, merece especial destaque nesse mesmo período a série do roteirista Dennis O Neil, associado ao desenhista Neal Adams, envolvendo a parceria entre o Arqueiro verde e o lanterna verde e, posteriormente a Canário Negro, que embarcam juntos em uma road-comic pelas estradas americanas, enfrentando questões como drogas e racismo. A primeira série do Monstro do Pântano é originalmente de 1972 e 1976.

O fato é que foi nesse período que o imaginário dos quadrinhos começou a “crescer” ou “amadurecer”, abandonando temáticas simplórias formatadas pelo moralismo da eterna luta do bem contra o mal, dedicado ao entretenimento inocente de um público infanto-juvenil. Minha geração cresceu neste momento de “amadurecimento” dos quadrinhos e isso fez muita diferença para mim em termos de construção de uma referência ética em minha pratica de vida.


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