De qualquer forma, eu só dormia com a luz acesa, mas tinha o medo abrandado pela companhia dos meus pais. O maior de todos os medos era o pesadelo de ser abandonado. Contra todos os outros, bastava eu estar com meus pais.
Acho natural que toda criança tenha medo de escuro dada sua total dependêndencia dos adultos para garantir sua própria sobrevivência.
Mas o meu medo era alimentado por fantasias irracionais de conteúdo impessoal. Imaginava fantasmas e criaturas sobrenaturais espreitando no escuro. Óbviamente, nunca me deparei com nenhuma entidade metafísica. Mas o medo não se alimenta de provas empíricas e nem se ilude com ponderações racionais. Eu tinha medo, e pronto.
Não sei dizer com que idade o medo se dissipou. Talvez por volta dos meus quinze anos. É impossível precisar.
Para a criança que fui, o mundo era uma coisa enorme e desconhecida. Apenas em casa eu me sentia realmente seguro sob todos os cuidados das figuras parentais. A vida se resumia em estar em casa. O lado de fora era a televisão , através da qual, o mundo apresebtava-se domado.
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