A memória que importa é aquela lembrança involuntária marcada no corpo: saber comer, falar, respirar, ou, simplesmente, reconhecer. Não a memória afetiva da identidade, dos momentos. Por isso as lembranças são tão frageis.
O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
quarta-feira, 6 de outubro de 2021
SOBRE A FRAGILIDADE DE NOSSAS LEMBRANÇAS
As lembranças que me pesam na memória não dão conta do passado, oferecem uma pálida imagem do que foi vivido. Mas como poderia ser diferente? O passado esgota-se em si mesmo como esquecimento. Pois o eu é uma experiência descontinua condicionada ao presente. Um presente que nunca é o mesmo como o próprio eu. O passado é o oposto da ação. E a vida é ação, superação, que ignora seus próprios vestigios.
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