quarta-feira, 6 de outubro de 2021

SOBRE A FRAGILIDADE DE NOSSAS LEMBRANÇAS

As lembranças  que me pesam na memória  não dão conta do passado, oferecem uma pálida imagem do que foi vivido. Mas como poderia ser diferente? O passado esgota-se em si mesmo como esquecimento. Pois o eu é uma experiência  descontinua condicionada ao presente. Um presente que nunca é o mesmo como o próprio  eu. O passado é o oposto da ação. E a vida é ação, superação,  que ignora seus próprios  vestigios.
 A memória que importa é aquela lembrança involuntária marcada no corpo: saber comer, falar, respirar, ou, simplesmente, reconhecer. Não a memória  afetiva da identidade, dos momentos. Por isso as lembranças são tão frageis.

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