quinta-feira, 18 de agosto de 2022

CASO EU MORESSE HOJE

Morrer hoje não teria qualquer importância. O mundo seguiria em sua insanidade coletiva, como sempre, e meu desaparecimento não seria se quer notado. A conclusão da minha existência não afetaria minha biografia. Tudo que sou já descansa em algum passado. Já superei a fase de novidades.
Morrer hoje em dia seria descanso, libertação, ou, simplesmente, um alívio.

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

MEMÓRIA SONHO

Me reconheço em um passado
que me foge ao vivido,
que me desconhece,
mas me confunde
com o mais profundo do tempo,
Lá onde a memória é sonho .




sexta-feira, 12 de agosto de 2022

NOSTALGIA

Existo em meus passados,
no tempo dos meus tantos mortos,
onde a realidade é sonho
e a vida  não tem mais futuro.

Existo onde é sempre tarde demais.
Onde nada mais acontece,
mas tudo é sempre diferente
nos labirintos que inventam  memórias.

terça-feira, 9 de agosto de 2022

SOBRE O PASSAR DAS COISAS

A casa onde cresci não existe mais.
Assim como os meus pais, meus vizinhos,
E o céu azul que me abrigava todos os dias, misturando a vigília um pouco de encanto de sonho.
Eu mesmo já não existo. A vida é outra. Mas o tempo não tem memória. Segue entre a indiferença e o esquecimento, sempre jovem, enquanto a gente morre e a vida segue.

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

1980

Em 1980 eu tinha apenas nove anos de idade. Meus pais estavam vivos e o meu futuro era imenso e imprevisível.
A década começava para mim com a morte trágica de John Lennon e com a trilha sonora do filme Xanadú. Afinal, como já disse, eu tinha apenas nove anos. Era ainda suficientemente jovem para me supor feliz.
Olivia Newton-John se tornaria, então, para mim, uma das grandes musas da saborosa década que se iniciava.

TEMPO E EXÍLIO

 Pouco há em mim dos dias de hoje. Sou feito da época onde nasci e cresci. O tempo é como a marca de um sonho, de um outro país do qual fui exilado. Sou um estrangeiro no presente e no futuro. Pois tudo que realmente vivi habita o passado. Quem dúvida que cada um de nós vive sempre conforme seus mais íntimos e profundos passados?

sábado, 6 de agosto de 2022

MATÉRIA E MEMÓRIA

O passado é aquilo que não tem presença ou existência. É a incerteza de uma lembrança que nos enraíza no tempo. 
Dito de forma clara e direta:  o passado não existe, ou acontece totalmente fora de nós, no em si do tempo, entrelaçando matéria e espírito, no devir criador.
No meu tempo há apenas descontinuidades e inacamentos, múltiplos desaparecimentos, na composição da minha finitude, em confronto aberto com o espírito do tempo.

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

HQs IMPOSSÍVEIS

Na época do chamado formatinho, algumas HQs se revestiram de uma aura mítica. Eu sabia que elas existiam, mas me eram inacessíveis. Tornavam-se, assim,  objeto de imaginação e desejo.  Impossibilitado de lê-las, eu imaginava e inventava as histórias, como quem sonhava acordado.

BOAS LEMBRANÇAS

Todas as minhas boas lembranças são referentes a momentos de ócio ou exercícios lúdicos. Nunca se referem a qualquer atividade produtiva ou obrigação.
O que importa na vida é, definitivamente, aquilo que não interessa coletivamente ou, simplesmente, as melhores lembranças são aquelas pelas quais jamais seremos lembrados.

ESPECULAÇÃO NIILISTA

Minha biografia é feita de descontinuidades, esquecimentos e saudades. No fundo existir é perder-se de si até ultrapassar o limite da própria existência.
Caso eu morresse hoje, meus últimos instantes seriam consagrados ao silêncio, a falta de sentido que define o acaso de tudo que existe. Afinal, existir é a ficção de um corpo vivo e a morte é o ocaso de um sonho.