Leitor de HQs desde muito cedo eu era mais atraído por uma banca do que por qualquer barraca de doces ou lanchonete.
Quantas vezes não desviava o dinheiro da merenda para comprar revistas em quadrinhos?
Mas as grandes vedetes destes estabelecimentos eram as tiragens diárias dos jornais impressos que, pode-se dizer, desempenhavam um papel decisivo como formadores de opinião.
O poder de públicar algo era decisivo em uma sociedade onde o direito a palavra e a opinião era de poucos e considerado, no contexto de uma ditadura, até mesmo perigoso.
Mas , apesar da censura, a riqueza de nossa produção semiótica e sua ampla circulação era surpreendentemente ampla. Mas era preciso saber ler nas entrelinhas.
Mas, apesar da popularidade das bancas de jornais e revistas, o analfabetismo, naqueles anos 1970, em que eu crescia, ainda atingia grandes camadas da população pobre, negra e periférica.
O letramento era basicamente um privilégio das camadas médias e brancas das cidades. A escola estava longe de ser acessível aos mais pobres.
O fato é que é difícil dimensionar hoje em dia a importância cultural das bancas de jornais e revistas no cotidiano das cidades mesmo pequenas e províncianas.