terça-feira, 21 de janeiro de 2025

QUARTO DE ESTUDO

Desde adolescente um dos meus maiores sonhos de consumo era ter um conjunto de escrivaninha e estantes de madeira para decorar o meu quarto e acomodar minha biblioteca. Nunca realizei este singelo desejo que, surpreendentemente, permanece atual, nos dias de hoje quanto já passei dos cinquenta anos e sustento meu próprio teto. No fundo, ter saído da casa dos meus pais não me levou a uma bem sucedida emancipação da tutela familiar. Me tornei um adulto pouco funcional e totalmente inadequado a sociedade atual. Eis um fracasso do qual sinceramente me orgulho.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

LEMBRANDO O FUTURO

Eu me lembro da juventude dos meus pais,
do futuro dos meus avós,
do vizinho chamando no portão
e de um mundo que não existe mais.

Eu me lembro dos mortos, dos vivos 
e dos não nascidos,
de muitos futuros perdidos,
da vida que ficou para traz
sem ninguém perceber.

Meu lembrar transcende o tempo,
é visitar um lugar de sonho, afetos, transformações e urgências,
onde desfilam ainda em festa
o futuro de muitos passados urgentes.

Eu me lembro....
 



terça-feira, 14 de janeiro de 2025

CONTRA O PESO DOS ANOS

Contra o peso do anos
insiste o tempo da vida
que sustenta lembranças,
laços e rotinas.

Vida que segue vaidosa
 e feminina,
quase centenária,
contra o tempo que corre.

Vida que persiste,
transcende espectativas,
afirmando o passado 
contra o futuro.

Amanhã será, ainda,
outro dia,
um novo instante de VIDA,
apesar do peso dos anos.




domingo, 12 de janeiro de 2025

SUBJETIVIDADE E MEMÓRIA

Minhas memórias afetivas morrerão comigo. Como meus sonhos elas não fazem parte da realidade, embora configurem minha autoconsciência e percepção de mundo.
Sou em certa medida aquilo de que me lembro com nostalgia. Sou um passado que não para de assombrar o presente, afirmando a transitoriedade de tudo.
Mas tais memórias não criam uma identidade, fundam um sentimento de finitude e incerteza diante de tudo aquilo que é.
O passado já não é parte do mundo tal como aquele menino que fui um dia. Eis a premissa de minhas estratégias de subjetivação.