Poucas pessoas foram realmente importantes em minha vida. Falo no sentido da intimidade de longo prazo que normalmente é uma exclusividade do núcleo familiar.
Tive grandes amigos que frequentei intensamente por certo período. Mas não gozei do privilégio de amizades de infância ou de décadas de viver cotidiano e compartilhado. Tive isso exclusivamente com uma ex namorada. Mas nunca vivi qualquer coisa próxima da rotina de uma união estável.
Sempre fui, em alguma medida, um grande solitário e considerei, invariavelmente, a convivência com meus pares um modo de confrontar a mim mesmo, uma forma de cuidado de si.
Se na infância meu mundo era profundamente marcado pela fantasia das HQs, a partir da adolescência me tornei um leitor de filosofia e literatura, um amante dos livros. E foi nesta condição que me inventei como adulto. A minha vocação para solidão sempre foi latente. Mesmo quando eu era demasiadamente jovem e cultivava o ideal do amor romântico, minhas idealizações erótico afetivas me conduziram a solidão como um imperativo idealista. Justamente por isso perdi a virgindade tardiamente e para viver meu único caso de amor.
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