sábado, 26 de janeiro de 2019

CONVERSAS MUSICAIS

No final dos anos oitenta e início dos anos noventa do século passado, costumava receber meus poucos amigos na casa dos meus pais. Conversávamos por horas. Mas as conversas sempre tinham como pano de fundo a audição de músicas que nos agradaram. Nossos velhos LOs faziam sempre parte do diálogo. Naquele tempo era possível conversar através da música.

O MITO DO HERÓI

Pode-se dizer que o mundo dos quadrinhos representou nas primeiras duas décadas da minha vida uma espécie de realidade paralela ou fundamento mitológico da vida real. Heróis como Batman, Super Homem, Homem Aranha ou Fantasma, não eram apenas modelos éticos. Eu reconhecia um pouco de mim mesmo neles....Ou algo que eu estava destinado a ser era dito em suas aventuras.

O mito do herói me era familiar. Hoje entendo que trata-se de uma experiência arquétipa. Mas a ideia de descobrir minha identidade secreta,minha vocação para fazer diferença em um mundo definido por tantas imperfeições, foi uma fantasia essencial para muitas escolhas que fiz na vida.

O CREPÚSCULO

Na casa dos meus avós maternos, nos tempos da minha infância onde a terra era fértil e o quintal povoado de árvores, o entardecer era melancólico. O canto intenso das cigarras decoravam o crepúsculo. Não precisávamos de relógios para saber as horas.
Hoje, exilado nos desertos da vida adulta,  vivo horas mortas. O anoitecer é silencioso e mal consigo ver e saber as estrelas do céu.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

QUANTAS MORTES CABEM EM UMA VIDA?

Muita coisa mudou no mundo desde que nasci. Eu mesmo não sou o mesmo. Dos muitos outros que fui até hoje guardo traços vagos.

  A criança que um dia me definiu já não existe faz décadas. De certa forma, ela está morta. Constatar essa realidade elementar desperta em mim um assombro. Afinal, quantas mortes cabem dentro da minha vida?

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

UM MOMENTO


Há um momento perdido no tempo,
Um eco, uma saudade.
Uma ocasião eterna
De quase felicidade.

Há um passado que me habita
Através de um único e perdido instante.
É uma ferida que dói,
Uma vontade de ter o passado entre os dentes.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

ALÉM DO TEMPO DE AGORA


Sinto em tudo o gosto das coisas de quando eu era jovem.
Ainda tenho como referencia os sabores de épocas idas,
O filtro de algumas memórias antigas.

O tempo presente pouco me importa.
Algo o transcende no embaralhamento epocal.
Um devir que atravessa as coisas,
Que inventa a intuição de antigas permanências.

A vida não se reduz ao momento.


terça-feira, 8 de janeiro de 2019

AMBIENTAÇÕES E HABITAÇÕES


Minhas referencias de existência provem da experiência de juventude. Foi quando aprendi a saber e sofrer o mundo de uma perspectiva própria, singular. É o que chamo de ambientação, de um modo de habitar a vida que define quem somos como indivíduos.

Ficamos presos a um conjunto de experiências e a um padrão de expressão na medida em que amadurecemos. Pertencemos mais a nossa própria vida do que ela nos pertence. Isso tem vantagens e desvantagens. De depende do histórico de cada um.  
Os lugares que frequentei dizem quem eu sou. Não passo de um dado de algumas pequenas paisagens cotidianas. Elas sempre estão em mim.