O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
segunda-feira, 27 de setembro de 2021
COMUNHÃO
Quando minha existência estava contida no viver dos meus pais, eu me sentia dentro do mundo.Existia desfeito entre as coisas compostas pela imaginação.O tempo me abrigava. E a infância era maior do que ser criança, porque eu me sabia através dos outros.
terça-feira, 21 de setembro de 2021
FALSA NOSTALGIA
Todos os meus adultos
estão mortos.
Mas de tão velho
tenho me surpreendido
criança
entre passados
e futuros imaginados.
domingo, 5 de setembro de 2021
PASSADO PRESENTE
Contemplar o passado não é uma modalidade de evasão, é uma estratégia para reinventar o presente de forma mais consciênte e, portanto, de modo mais independente do pragmatismo e pressões do dia a dia.
Sempre acessamos e experimentamos o passado a partir dos desafios do momento de agora, das expectativas que temos em relação ao futuro ou a falta dele.
Memória é consciência e, como tal, pressupõe ação, movimento. O passado não é uma coleção de registros de nossa experiência biográfica, mas expressão de nossos valores e sentimento de mundo sempre em mutação. Aquilo de que me lembro e o modo como lembro define minha subjetividade, diz o mundo que particularmente habito, meu espaço vital e seus tempos íntimos em constante movimento e transformação. O passado não é conservador.
O SUPERMEN DE JOHN BYRNE II
o Superman de John Byrne, propunha uma reinvenção da personagem após a Crise nas Infinitas Terras e a reorganização do universo DC dela decorrente. Foi, definitivamente, uma das melhores fases do superman nos quadrinhos. Através dela, ele definitivamente afirmou-se de vez como imagem por excelência do arquetipico do herói solar semi divino. Mas é justamente sua humanidade, seu ideal ético que o torna singular no traço marcante de Byrne. Os anos 80 não teriam sido os mesmos para mim e muitos outros adolescentes da época sem essa redescoberta do herói. Ele representava, antes de tudo, uma esperança no mundo, uma generosidade, que aqueles anos, marcados pelo fim da guerra fria e do fantasma de uma terceira guerra mundial, encarnavam de um modo ingenuamente otimista. Byrne soube modernizar o último filho de Krypton, torna-lo contemporâneo, mantendo a aura mágica da era dourada dos quadrinhos que o engrandecia como ideal moral.
sexta-feira, 3 de setembro de 2021
NÃO IDENTIDADE
Ao longo dos anos e das épocas da vida fui tantas versões diferentes de mim mesmo, que não sei mais quem sou. Mas isso não importa, visto que não serei lembrado.
O SUPERMEN DE JOHN BYRNE
A vida humana, projetada no fim de Krypton pelo mestre John Byrne no final dos anos 1980, hoje faz mais sentido do que nunca em tempos de emergência global. Em sua versão, o fim de Krypton, começa com uma pandemia: a "morte verde" , causada por radiação. É assombroso em uma releitura ver isso ecuar no futuro presente de 2021.
quinta-feira, 2 de setembro de 2021
A CASA ANTIGA
A casa é de todos.
Dos vivos, dos mortos,
e dos bichos.
Mesmo vazia,
ela ainda é de todos,
e guarda nas paredes
o cheiro de nossas vidas,
os ecos de nossas histórias.
Todos os nossos vestigios.
A casa é tudo que resta...
é ela quem de nós recorda
em segredo,
como um túmulo coletivo
ou um monumento a saudade.
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