terça-feira, 29 de abril de 2025

INFÂNCIA & ANARQUIA


Quando criança eu queria ser grande,
romper com a infância,
com a tutela paterna,
com a escola,
e superar os limites do quintal de casa.

Eu queria viver tudo, me fazer absoluto,
saber muito mais do que qualquer adulto.

O mundo repousava
na palma da minha mão 
como um brinquedo velho e gasto.

Quando criança eu transgredia,
através da imaginação,
o próprio conceito de infância
e me inventava demiurgo.

domingo, 27 de abril de 2025

HEAVY METAL, PERIFERIA E ANOS 1980

Nos anos 1980, em um canto provinciano e marginal deste vasto território onde hoje incertamente se identifica o Estado brasileiro, enquanto a mídia nacional inventava o fenômeno do renascimento do rock nacional sob as ruínas da ditadura e através das expectativas do processo de redemocratização, eu descobria o heavy metal que então se inventava no norte da América e na Europa..
Minha rebeldia, assim se imaginava, não apenas política, naquele contexto de reinvenção nacional, mais, acima de tudo, globalmente , de algum modo impreciso e contra cultural, revolucionária. Isso, considerando ser, ao mesmo tempo niilista e revolucionário, além de qualquer projeto coletivista e vazio de sociedade.
Naquele momento, ser Head banger, pelo menos segundo os hesteriotipos, era ser um adolescente branco, liberalmente rebelde de classe média urbana. Mas, muitos de nós já cresciam na periferia e se definiram como punks os metaleiros sujos que reeditavsm através de zines, bandas e underground, um novo suspiro de contra cultura.




quarta-feira, 16 de abril de 2025

INFÂNCIA

Na infância,
eu sabia minha vida
como o centro do mundo.

Toda experiência era mágica
e meu corpo era a medida
de todas as coisas.

Tudo era intenso, profundo
e único.





quinta-feira, 10 de abril de 2025

SOBRE O PASSADO

Meu passado não deixou muitos vestigios.
Apenas  meia dúzia de registros
que não alimentam memórias ou nostalgias.

O passado, afinal, 
é feito do que já não existe,
do que não mais importa,
do que não mais nos transforma,
do que não tem futuro.

É, na melhor das hipóteses,
notícia antiga de jornal velho
que nos devora a alma.