Sei que os tempos de criança são uma construção social, que a infância que nos visita como memória não passa de uma invenção afetiva e fantasiosa de uma consciência adulta.
Nada disso me impede de afirmar que a vida adulta me tirou muito em troca de pouco. Na infância eu provava a existência através da generosidade de meus afetos e imaginações. Pouco sabia da aridez do mundo e ainda gozava de alguma autonomia frente à coerção social. A vida adulta me tirou tudo isso para me fazer escravo de minha própria sobrevivência. De repente me surpreendi sozinho, vazio e infeliz inscrito em uma realidade de deserto urbano.
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