Independente
da minha idade atual,em relação a memória dos meus avós ou dos meus pais,
sempre me sinto um jovem, uma eterna criança. A grandeza impessoal que eles
representam enquanto imagens arquetípicas, determina a atemporalidade da minha vivência
juvenil em relação a eles. Trata-se, assim, de um sentimento de si que
transcende a concretude da infância enquanto experiência objetivamente vivida.
Há em mim
uma fragilidade ontológica e relacional que extrapola a corporeidade moldada
por uma “consciência etária”, ou seja, pela persona etária ou social que me
define em sociedade. Em relação as figureas parentais ocupo uma função, pertenço
a uma dada ambiência parental, a uma
simulação mítica do núcleo familiar, que constela uma experiência arcaica e
irracional que me reduz a condição atemporal de criança.
O biográfico
e o impessoal se enlaçam na codificação mnemônica revelando uma dimensão
atemporal e mítica da experiência de lembrar. Não é apenas minha vida que a memória
invoca, é um sentimento de mundo e existência, um modo de ser.