sexta-feira, 24 de maio de 2019

MEMÓRIA E LEMBRANÇA


Independente da minha idade atual,em relação a memória dos meus avós ou dos meus pais, sempre me sinto um jovem, uma eterna criança. A grandeza impessoal que eles representam enquanto imagens arquetípicas,  determina a atemporalidade da minha vivência juvenil em relação a eles. Trata-se, assim, de um sentimento de si que transcende a concretude da infância enquanto experiência objetivamente vivida.

Há em mim uma fragilidade ontológica e relacional que extrapola a corporeidade moldada por uma “consciência etária”, ou seja, pela persona etária ou social que me define em sociedade. Em relação as figureas parentais ocupo uma função, pertenço a uma dada ambiência  parental, a uma simulação mítica do núcleo familiar, que constela uma experiência arcaica e irracional que me reduz a condição atemporal de criança.

O biográfico e o impessoal se enlaçam na codificação mnemônica revelando uma dimensão atemporal e mítica da experiência de lembrar. Não é apenas minha vida que a memória invoca, é um sentimento de mundo e existência, um modo de ser.


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