quarta-feira, 15 de maio de 2019

MEMÓRIA E INVOLUÇÃO BIOGRAFICA: EXPOSIÇÃO DE UMA PSEUDO TEORIA


A memória é o modo como produzimos o passado. Ele só pode existir na medida em que lembramos. E cada um tem seu próprio modo de lembrar e significar suas lembranças. As vezes  fazemos isso com tamanha intensidade que arrancamos as cores do momento presente e destituímos o futuro do posto de senhor de todas as espectativas.

De fato, depois de certa idade, o passado passa a ser nosso lugar de identidade e existência. Ele se converte em uma espécie de paraiso perdido, em que pese todas as idealizações envolvidas.

Não existe isenção na memória. Ela é tão seletiva quanto nossos desejos. A memória desautoriza a representação linear de um tempo irreversível e qualquer evolucionismo biográfico. Chego mesmo a pensar que toda minha vida é a história da degeneração de uma criança através da sua suposta conversão em adulto. Para mim a vida é um processo de degeneração que nos conduz da perfeição da infância a deformação completa coroada pela  morte.

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