domingo, 25 de outubro de 2020

MEMÓRIA E MELANCOLIA

A ressonância do passado
No incerto do futuro
Define o momento presente
Como agonia. 

Talvez, amanhã, 
Seja tarde
Para tanta vontade
De agora e sempre.

A memória nos rouba a inocência, 
Ensina o tempo, 
As perdas e limites,
De uma existência que desaba,
Que com o tempo  aprende a morrer.



segunda-feira, 19 de outubro de 2020

NIILISMO E AUTO ALIENAÇÃO

 

Não me percebo como o sujeito de uma narrativa bibliográfica,

 como o titular de uma história de vida inserida em um

 determinado e impessoal processo coletivo de invenção da vida 

coletiva.

Não me sinto parte do acontecer de qualquer coletividade, 

cidade/Estado e, muito menos, de uma configuração egoica ou

 singularidade de consciência formatada por qualquer território 

existencial. Percebo-me, ao contrário, como um desconjuntado

 campo de fluidas e descontínuas experiências existenciais

 destinadas a insignificância de seu auto e aleatório

 acontecimento.

Em meu visceral niilismo, nada significam as meta narrativas

 sobre a ficção de Humanidade, o desenvolvimento das

 civilizações, os valores e teleologias ontológicas atualmente

 vigentes.

Minha finitude, o vazio do nada e depois da minha existência, me

 faz encarar com uma indiferença egoista e irracional qualquer

 questão ou envolvimento com o desenvolvimento do gênero

 humano. Viver não passa para mim de um exercício

 absolutamente sem sentido.

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

O NÃO SENTIDO DO EXERCÍCIO AUTO BIOGRÁFICO

 Sei que minha vida não  interessa a ninguém. Nenhuma palavra dita sobre minha ficção auto biográfica dedica-se aos olhos dos outros, mas ao exame da insignificância intensa da minha própria finitude.

Fazer autobiografia é  um exercício de memória e angústia, uma busca pela vitalidade da " insustentável leveza do ser".

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

DESCONTINUIDADES BIOGRÁFICAS

Não  me canso de repetir que a criança que fui um dia, assim como a vida dela, estão mortas e enterradas no tempo. Desapareceram para sempre. Nada em mim apresenta resquícios dela e as lembranças  de infância que me assombram a memória não  passam, portanto, de fantasmas de uma vida passada.
O mesmo posso dizer sobre outros eus  que vestiram meu corpo ao longo do tempo. Sou O resultado de várias mortes. Por isso só  acho possível uma anti autobiografia. Seria ridículo pretender falar sobre meus eus mortos sem trair a mim mesmo. Muito menos seria legítimo pretender uma evolução  linear da minha existência a partir de uma suposta continuidade entre todas as versões de mim mesmo. Há um poucodefictor Who em todos nós.  Mas não somos senhores do tempo. Somos seus escravos.

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

CETICISMO E ENVELHECIMENTO

Entre o mundo no qual nasci e cresci e aquele no qual existo hoje, há um enorme abismo existencial.
Não  me reconheço no tempo presente, duvido de todo futuro, e não  tenho qualquer simpatia pelas novas gerações.
Carrego a intuição  de um desejável colapso dos signos e símbolos em circulação, um desarranjo simbólico,  que ponha em questão a própria ideia linear de tempo e toda suposta importância ou valor  da vida e existência da humanidade. 
Para mim, envelhecer significa perceber como uma evidência cada vez mais gritante a caduquice do mundo e da ideia de história.

INADEQUAÇÃO

Tendo sido um adolescente melancólico  e sonhador, não  deve causar surpresa que tenha me tornado um adulto meio desfuncional e mal adaptado ao tempo presente, a miséria ontológica da sociedade atual.
Acho que nunca viverei em meu próprio tempo a vida que me imagina em algum inexistente ponto secreto dentro do meu cérebro.

2020

2020 foi o principio do fim, o ano do início do curto resto de toda a minha vida.
Foi o ano da peste.
O ano em que fiquei órfão.,
O ano em que, definitivamente, me desencantei com a vida,
Em que comecei a não  me sentir eu e deixei de querer de saber sobre o mundo.