O mesmo posso dizer sobre outros eus que vestiram meu corpo ao longo do tempo. Sou O resultado de várias mortes. Por isso só acho possível uma anti autobiografia. Seria ridículo pretender falar sobre meus eus mortos sem trair a mim mesmo. Muito menos seria legítimo pretender uma evolução linear da minha existência a partir de uma suposta continuidade entre todas as versões de mim mesmo. Há um poucodefictor Who em todos nós. Mas não somos senhores do tempo. Somos seus escravos.
O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
quinta-feira, 8 de outubro de 2020
DESCONTINUIDADES BIOGRÁFICAS
Não me canso de repetir que a criança que fui um dia, assim como a vida dela, estão mortas e enterradas no tempo. Desapareceram para sempre. Nada em mim apresenta resquícios dela e as lembranças de infância que me assombram a memória não passam, portanto, de fantasmas de uma vida passada.
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