O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
quinta-feira, 31 de março de 2022
LUTO E EXISTÊNCIA
Aos cinquenta anos perdi minha mãe. Desde então a vida se quebrou dentro de mim e meu passado pessoal se fez um território existencial. Passei a existir nele, virtualmente, indiferente ao presente e ao futuro. Tornei-me inteiramente niilista diante da existência. A própria vida se converteu em assombro. A morte ganhou as cores de uma consciência de mundo.
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