segunda-feira, 19 de junho de 2023

VIDA DE ESTUDANTE

Nas últimas décadas do século XX, especialmente em fins dos anos 80 e ao longo dos anos 90, fazer uma graduação na área de humanas, seja em uma capital de estado ou mesmo em qualquer cidade mais periférica, significava antes de tudo ascender a um outro nível de realidade, era uma imersão em contra cultura que de alguma forma nos traduzia a experiência de ser jovem ou existir a margem da sociedade. Éramos experimentais. A universidade ou faculdade trascendia a prisão normativa e  burocrática da rotina acadêmica.  Convertia-se em uma forma de vida, em um modo de ser, ou em uma sub cultura dentro da sociedade envolvente definida por nossa improdutiva condição de estudante.
Mas muitos de nós não eram capturados por estratégias de aprendiz que nos levariam a ser alguém na vida.
Éramos, antes de tudo, singulares. Tínhamos um mundo na palma da mão. Ser jovem e estudante,  era provar a realidade, ser seduzido por tudo que existe e pretender ir  além de tudo que nos parecia possível.

quarta-feira, 7 de junho de 2023

MUDAR O MUNDO

Ser jovem é saber a vida na espectativa de mudar o mundo.
É ter a arrogância e a ousadia de imaginar-se no centro de mudanças e rupturas que transformam a vida comum .
Quando jovem eu sonhava um mundo novo como a antecipação de um futuro certo. Imaginava ou vivia a intuição de uma virtualidade que me inspirava devir ou, ainda, como uma ansiedade ontológica que me deslocava do pragmatismo do possível.
Nunca esperei vencer na vida. Sabia que podia transformá-la coletivamente. Isso era tudo que me importava por volta dos meus 18 anos. Não pensava em meu destino individualmente.

sábado, 3 de junho de 2023

MEMORIALISMO ONTOLÓGICO

Não há dia que eu não seja assombrado pela memória dos meus mortos, dos meus melhores dias, antecipando, assim, minha própria ausência do mundo, minha  morte. Surpreendo-me como passiva testemunha da impotência de minha duvidosa e provisória existência.
Sei a mim mesmo como lugar de memórias e saudades, de reconhecimento e celebração dos outros, perdendo meu próprio rosto na impessoalidade da existência comum e dispersa em uma dada época e lugar.