segunda-feira, 19 de junho de 2023

VIDA DE ESTUDANTE

Nas últimas décadas do século XX, especialmente em fins dos anos 80 e ao longo dos anos 90, fazer uma graduação na área de humanas, seja em uma capital de estado ou mesmo em qualquer cidade mais periférica, significava antes de tudo ascender a um outro nível de realidade, era uma imersão em contra cultura que de alguma forma nos traduzia a experiência de ser jovem ou existir a margem da sociedade. Éramos experimentais. A universidade ou faculdade trascendia a prisão normativa e  burocrática da rotina acadêmica.  Convertia-se em uma forma de vida, em um modo de ser, ou em uma sub cultura dentro da sociedade envolvente definida por nossa improdutiva condição de estudante.
Mas muitos de nós não eram capturados por estratégias de aprendiz que nos levariam a ser alguém na vida.
Éramos, antes de tudo, singulares. Tínhamos um mundo na palma da mão. Ser jovem e estudante,  era provar a realidade, ser seduzido por tudo que existe e pretender ir  além de tudo que nos parecia possível.

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